segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A CIVILIZAÇÃO MAIA


INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo apresentar a pesquisa realizada acerca da Civilização Maia, considerando-a não como um fenômeno isolado, mas situando-a num quadro mais vasto da Mesoamérica, a partir dos estudos realizados em Aquino (1990), Flamarion (1981), Gendrop (1988), dentre outros.
A pesquisa parte da exploração da História da América, revelando que a transformação desta na sociedade não foi um acontecimento inesperado, mas um processo que se firmou com a sedentarização e o aparecimento de várias e diferenciadas culturas, sendo a Olmeca, uma das mais relevantes matrizes das civilizações meso-americanas. A transformação na sociedade Olmeca ocorreu, surgindo assim um modelo de civilização que se firmou, com uma organização atemporal, social, política e religiosa tornando-se uma das mais ricas culturas de todo o continente americano, a civilização Maia.
O estudo procura mostrar a história dos Maias, que das três grandes civilizações ameríndias, são os mais misteriosos e provavelmente os mais antigos. Perpassando pela sucessão de descobertas arqueológicas que indica o desenvolvimento de uma das mais notáveis civilizações do Novo Mundo, com uma arquitetura, escultura e cerâmica, bastante elaboradas. Mas foi a decifração dos ideogramas da escrita maia que permitiu reconstituir parcialmente a história deste magnífico povo.
História que começa há milhares de anos, quando povos provavelmente vindos da Ásia pelo estreito de Bering, ocuparam a América do Norte e Central e pode ser dividida em três períodos: o pré-clássico (1000 a.C. a 317 d.C.); o clássico ou Antigo Império (317 a 889); e o pós-clássico ou Novo Império, também conhecido por “renascimento maia”, até 1697. E, traz à tona também os aspectos, políticos, econômicos, sociais e religiosos, isso é, do grande legado da civilização maia.
Destaca ainda a Cultura dos Maias, que estava em declínio quando os europeus chegaram às Américas, devido às causas ainda não totalmente certas, talvez devido a sucessivas guerras ou à agricultura baseada em queimadas que teriam empobrecido o solo e estagnado a economia.
Finalmente, perpassa pela nova e polêmica teoria sobre o ‘desaparecimento’ dos maias que reacende o mistério em torno da mais avançada civilização da América.

1. A HISTÓRIA DA AMÉRICA

A civilização americana não apareceu repentinamente como os conquistadores europeus afirmavam. Esta surgiu desde os primórdios de vida humana no planeta Terra. A destruição de fontes históricas, monumentos, centros urbanos, obras de artes e manuscritos sempre esteve interligada com o homem sujeito, haja vista que o homem, necessita destruir, anular, para reescrever a sua história.
De acordo com Flamarion:

A conquista e as primeiras fases da colonização significariam a destruição física da maioria absoluta dos índios, através de epidemias repetidas, escravidão e trabalhos forçados diversos, confisco de terras, ruptura violenta da organização social, familiar, religiosa, cultural (1981, p.8).

Percebe-se que o homem, sujeito histórico, transformou o tempo cronológico das espécies humanas americanas com agressões que foram do físico até o psicológico para moldar os acontecimentos da história das sociedades americanas, de acordo com suas preferências e necessidades.
Para Flamarion:

O ponto terminal e a expressão de um longo processo de diferenciação cultural que podemos considerar definitivamente iniciado quando, talvez por volta de 2000 a.C. na Meso-América, e de 1500 a.C. nos Andes Centrais generalizou-se o habitat baseado em aldeias sedentárias, possibilitado por uma agricultura estável e altamente produtiva (1981, p. 44):

Assim, a cronologia da organização social dos primórdios humanos da América, segundo seus estudos, foi construída inicialmente na agricultura com grupos distintos: nômades, seminômades até o surgimento do excedente econômico. A transformação na sociedade não foi um acontecimento inesperado, foi sim um processo que se firmou com a sedentarização e o aparecimento de várias e diferenciadas culturas.
Gendrop, por sua vez, afirma que:

O conjunto do continente americano tendo sido, desse modo, povoado através dos tempos, ali se descobrem, pouco a pouco, as evidências de uma vida primitiva, cuja subsistência está assegurada pela caça, pesca e coleta de plantas e frutos nativos, atividades às vezes exercidas separadamente por pequenos grupos mais ou menos especializados (1988, p. 8).

Assim, tendo as transformações climáticas e ecológicas provocado o desaparecimento de numerosas espécies animais e colocado ao homem novos problemas de sobrevivência, assiste-se em muitas regiões da Mesoamérica, a partir de 7000 a.C, a um encaminhamento progressivo no sentido da vida sedentária. Achando-se as possibilidades de caça em geral diminuídas, a coleta tende a se expandir, transformando-se gradativamente em agricultura após muitos milênios.
Os primeiros vestígios de povoações semipermanentes aparecem entre 3400 e 2300 a.C, na região entre o Tamaulipas, os vales do Tehuacán e de Oaxaca, e a zona lacustre do planalto Central mexicano. É dessa última região, aliás, que provém a mais antiga figura de terracota conhecida na Mesoamérica, e cuja execução remontaria a 2300 a.C, quando essa prática já era conhecida há vários séculos na América do Sul, na zona costeira de Valdívia, no Equador. Embora de aspecto bastante desgastado, essa figura feminina prenuncia pelo menos uma tradição que, dependendo da região, se perpetuará às vezes por longo tempo: ela antecipa, com efeito, as abundantes estatuetas femininas que se encontrarão, sobretudo durante o período pré-clássico, e nas quais parece manifestar-se um culto de tipo agrário à fertilidade.
Entre 1800 e 300 a.C., começaram a formar-se culturas complexas. Algumas evoluíram para avançadas civilizações mesoamericanas pré-colombianas tais como: olmeca, teotihuacan, maia, zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca, e mexica (ou asteca), as quais floresceram durante cerca de 4000 anos até ao primeiro contacto com Europeus.
Atribuem-se a estas civilizações indígenas várias criações e invenções: templos-pirâmide, cidades, a matemática (sendo o primeiro povo do mundo a usar o zero), astronomia, medicina, escrita, calendários precisos, belas artes, agricultura intensiva, engenharia, um ábaco, teologia complexa, o chocolate e a roda.
Inscrições antigas em rochas e paredes rochosas por todo o norte do México demonstram desde muito cedo uma propensão para contar no México. Estas marcas de contagem muito antigas estavam associadas a acontecimentos astronômicos e sublinham a influência que as atividades astronômicas tinham sobre os nativos mexicanos, mesmo antes do desenvolvimento de civilizações. De fato, todas as civilizações mexicanas mais tardias construiriam cuidadosamente as suas cidades e centros cerimoniais de acordo com acontecimentos astronômicos específicos.
Em alturas diferentes, houve três cidades mexicanas que eventualmente se tornaram nas maiores cidades do mundo: Teotihuacán, Tenochtitlan e Cho lula. Estas cidades – entre várias outras - foram centros florescentes de comércio, idéias, cerimônias e teologia. Por outro lado, espalharam a sua influência a culturas vizinhas.
Ainda que muitas cidades-estado, reinos e impérios competiram uns com os outros por poder e prestígio, pode-se dizer que o México teve quatro civilizações principais e unificadoras: a olmeca, Teotihuacán, a tolteca e a mexica. Estas quatro civilizações estenderam a sua influência por todo o México – e para além deste - como nenhuma outra. Consolidaram poder e influenciaram o comércio, arte, política, tecnologia e teologia. Outras potências regionais fizeram alianças políticas e econômicas com estas quatro civilizações ao longo de 4000 anos. Muitas foram as que entraram em guerra com elas. Mas todas elas se viram dentro destas quatro esferas de influência.
É válido ressaltar que as civilizações existentes na América “Pré-colombiana” são desvalorizadas em relação às civilizações européias, onde povos como Olmecas, Toltecas, Astecas, Incas, Maias e até os Tupinambás, os Charruas e aos Pueblos foram a base da formação do processo de conquista e expansão européia. De modo que essas civilizações, que não são enfatizadas historicamente, contribuíram tanto como os povos da Mesopotâmia, do Egito, da Grécia e de Roma para a mutação da humanidade.

1.1   A cultura Olmeca
A primeira civilização do México foi a olmeca. Esta civilização estabeleceu as fundações culturais que seriam seguidas por todas as civilizações indígenas que se lhe sucederam no México. A civilização olmeca começou com a produção de cerâmica em grande escala, cerca de 2300 a.C. Entre 1800 a.C. e 1500 a.C., os olmecas consolidaram o poder em várias chefias que estabeleceram a sua capital num local hoje conhecido como San Lorenzo, perto da costa no sudeste de Vera Cruz.
A influência olmeca estendeu-se por todo o México, à América Central e ao longo do Golfo do México. Dirigiram o pensamento de muitos povos na direção de um novo modo de governo, templos-pirâmide, escrita, astronomia, arte, matemática, economia e religião. Os seus êxitos preparariam o caminho para a grandeza tardia da civilização maia no oriente, e das civilizações do México central e ocidental.

Há registros do passado que identificam a cultura Olmeca como uma das mais relevantes matrizes das civilizações meso-americanas.
Segundo Flamarion p. 60 [...] A cultura Olmeca e outras culturas contemporâneas 1200 – 1 a.C. aproximadamente [...], esse foi o tempo de florescimento dessa sociedade, o começo de uma hierarquia social que se originou na Costa Sul do Golfo do México (Laventa, San Lorenzo, Tecnothtitlán, Três Zapotes).
Para Aquino:

Surgiu na América a primeira civilização, que durou até cerca do ano 100 a.C. As características marcantes do Império Olmeca – que se estendeu desde o México Ocidental até talvez a Costa Rica – foram a escultura monumental  e a presença de centros cívico-religiosos a que se subordinavam áreas periféricas (1990, p. 34-5).

Com base nas informações da leitura de Aquino é possível constatar a extensão do Império Olmeca e a sua grandiosa riqueza cultural e religiosa deixadas para o homem contemporâneo, que mesmo em ruínas exercem um papel de transmitir e desmistificar que a história não surgiu a partir da colonização européia, mas sim com os povos Olmecas e outros que existiram. Também o artesanato elaborado de pedra e jade deste povo ampliou o comércio dessa civilização pela via fluvial constituída com inúmeras rotas marítimas.
Conforme Gendrop:

A primeira chama cultural espetacular na Mesoamérica é a dos Olmecas, que não somente influenciará, com sua marca profunda, um grande número de povos contemporâneos, como também suas reminiscências atuarão como poderoso fermento cultural que se reencontrará, séculos mais tarde, como ponto de partida do grande impulso clássico, aí compreendido o dos Maias (1988, p. 12).


Os Olmecas tinham como base do seu sustento uma agricultura de subsistência fundamentada no cultivo de milho, abóbora e feijão, além de utilizarem antigos métodos rudimentares como à caça e a pesca. A sociedade Olmeca era estratificada, formada por camadas que iam de uma minoria privilegiada de sacerdote e elite, sendo o restante da população camponesa.
Assim como a civilização egípcia, os Olmecas sentiram a necessidade de construir uma organização político-religiosa que visava o controle e o domínio da sociedade, bem como a utilização de mão de obra na construção de obras monumentais como pirâmides, centros religiosos, irrigação, aterros e esculturas de pedra.
O declínio dos olmecas resultou num vazio de poder no México. Deste vazio emergiu Teotihuacán, inicialmente colonizada em 300 a.C. Em 150, Teotihuacán já era a primeira verdadeira metrópole do que agora se designa por América do Norte. Teotihuacán estabeleceu uma nova ordem política e econômica nunca antes vista no México.
A sua influência estendia-se por todo o México até a América Central, fundando novas dinastias nas cidades Maias de Tikal, Copán e Kaminaljuyú. A influência de Teotihuacán sobre a civilização maia não pode ser subestimada: transformou o poder político, manifestações artísticas e a natureza da economia. Na cidade de Teotihuacán propriamente dita vivia uma população cosmopolita.
A sua influência econômica fazia-se sentir também em zonas do norte do México. Tratava-se de uma cidade cuja arquitetura monumental refletia uma nova era na civilização mexicana, entrando em declínio político cerca do ano 650 a.C., mas com uma influência cultural duradoura durante a maior parte de um milênio até cerca do ano 950.
Sabe-se que a cultura Olmeca não foi exterminada, foi absolvida e disseminada entre as diversas culturas que a sucedeu, principalmente na grande civilização maia. A transformação na sociedade Olmeca ocorreu, surgindo assim um modelo de civilização que se firmou, com uma organização atemporal, social, política e religiosa tornando-se uma das mais ricas culturas de todo o continente americano, esta foi a civilização Maia.


1        A CIVILIZAÇÃO MAIA

Contemporânea da grandeza de Teotihuacán foi a grandeza da civilização maia. No período entre 250 e 650 assistiu-se a várias conquistas civilizacionais dos maias. Apesar de as muitas cidades-estado maias nunca terem atingido uma união política da mesma ordem de grandeza da conseguida pelas civilizações do México central, elas exerceram uma tremenda influência intelectual sobre o México e América Central.
A Civilização Maia, muito provavelmente, foi a mais antiga das civilizações pré-colombianas, embora jamais tenha atingido o nível urbano e imperial dos Astecas e Incas. Estendeu-se por toda a península mexicana de Yucatán e zonas do que hoje é a Guatemala, Honduras, El Salvador e Belize, conforme mostra a figura abaixo.

Em todas estas regiões descobriram-se ruínas de cidades maias, que são uma mostra da habilidade e capacidade artística de seus arquitetos. Algumas das cidades mais elaboradas do continente foram construídas pelos maias, com inovações nos campos da matemática, astronomia e escrita que viriam a constituir o ponto mais alto dos feitos científicos do México antigo.
Os estudos de Aquino (1990) apontam que essa civilização jamais foi um império, embora possuísse uma cultura comum, e uma reunião de diferentes grupos étnicos e lingüísticos como os huastecas, os tzental-maia e os tzotzil.
Provavelmente, a primeira civilização a florescer no hemisfério ocidental. Ocupou a América Central por mais de vinte séculos e atingiu alto grau de evolução, no que se refere ao conhecimento de matemática e astronomia, capaz de sobrepujar as culturas européias da mesma época.
A civilização maia organizou-se como uma federação de cidades-estado e atingiu seu apogeu no século IV. Nesta época, começou a expansão maia, a partir das cidades de Uaxactún e Tikal.
A cidade de Uaxactun era o centro mais importante no antigo império e já no renascimento Maia,  não havia cidades, mas centros de cultos com edifícios públicos, templos, pirâmides, praças, palácios, observatórios e campos de esporte. Tais locais eram muito separados uns dos outros e era privilégio da classe nobre. Os camponeses viviam em choças de palha, espalhados pela imensidão das terras.

Uaxactun terá sido ocupada desde cerca 900 a.C. com o seu apogeu a ocorrer entre 500 e 900. A inscrição mais antiga aqui encontrada data de 328 encontrada na estela 9 e a mais recente remonta a 899 encontrada na estela 12. Estes fatos parecem indicar que Uaxactun terá sido o sítio ocupado por mais tempo em todo o Petén, sendo considerado durante muito tempo como sendo também o mais antigo, até às descobertas de Nakbé e El Mirador. Uaxactun parece ter sido rival de Tikal no final do período pré-clássico e no clássico inicial. Aparentemente Tikal saíu vitoriosa deste confronto em 379 e Uaxactun tornou-se uma cidade satélite daquela. Como muitas outras cidades maias do período clássico Uaxactun entrou em declínio no século IX sendo abandonada durante o século X.

Tikal dominava as terras baixas dos maias, mas estava freqüentemente em guerra. Várias inscrições dão conta de muitas alianças e guerras com outros estados maias vizinhos, dentre os quais Uaxactun, El Caracol, Naranjo e Calakmul.


Em seus dias áureos, no século IX, Tikal chegou a reunir cerca de 50 mil pessoas. Em parte, tal fato se deve a sua localização no cruzamento de rios que se encontram no caminho entre o Golfo do México e o Mar do Caribe. No ano 900, aproximadamente, o povo abandonou a região, rumo ao norte. Os motivos da partida repentina são um mistério. Acredita-se que o êxodo tenha sido causado por uma epidemia ou pelo aumento da população, gerando escassez de alimentos.
Hoje, as pedras de Tikal despertam reverência não só de visitantes, mas também de estudiosos que decifram a escrita maia e revelam aos poucos os segredos dessa brilhante civilização.
A figura 3 permite perceber em meio à exuberante floresta tropical, densa e úmida, as pirâmides de pedra de Tikal que despontam para a surpresa e deleite de quem as vê. Solene, a cidade guarda os vestígios da civilização Maia. 
Os maias fundaram ainda, Palenque, Piedras Negras e Copán. Entre os séculos X e XII, destacou-se a Liga de Mayapán, formada pela aliança entre as cidades de Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán. Esta tripla aliança constituiu um império, que teve sob o seu domínio outras doze cidades.
O conjunto da cidade era considerado um templo. Os edifícios eram construídos com grandes blocos de pedra adornados com esculturas e altos-relevos, como os de Uaxactún e Copán.
Palenque é um sítio arqueológico situado próximo do rio Usumacinta, no estado mexicano de Chiapas, 130 km a sul de Ciudad del Carmen. Trata-se de um sítio de média dimensão, menor que Tikal ou Copán, que, no entanto contem alguns dos melhores exemplos de arquitectura, escultura e baixos-relevos produzidos pelos maias. As ruínas são formadas por um conjunto de cerca de 500 edifícios que ocupam uma extensão de mais de 15 km.


Acredita-se que a civilização maia de Palenque era originalmente liderada por mulheres. Estudos revelam que as ruínas do Templo de La Reina Roja são bastante mais antigas que as do palácio do Rei Pakal, descoberto em 1950. Junto às ossadas de La Reina Roja foram encontrados anéis, colares, brincos e braceletes, além de uma máscara e uma tiara, ambas feitas de jade.
Chichen Itza significa "boca do poço de Itza". Chichen é a mais conhecida, melhor restaurada e mais impressionante das ruínas Mayas. Chichen foi construída por volta do ano 550 DC. Chichen teve dois poços principais, ou cenotes: um sagrado e o outro profano. O profano era usado para satisfazer as necessidades cotidianas. O poço sagrado, com 195 pés de largura e 120 pés de profundidade, era usado em rituais religiosos, e oferendas eram feitas continuamente a ele.
Chichen Itzá ganhou proeminência regional em aproximadamente 600 A.C, mas foi no final do século clássico que se tornou um grande centro político regional. A ascensão de Chichen Itzá está relacionada ao declínio de outros centros regionais das planícies do sul do Iucatão, como, por exemplo, Tikal.
Algumas fontes etnográficas afirmam que em 987 um rei tolteca de nome Topiltzin Ce Acatl Quetzalcoatl dominou esta regiãpo com o apoio de algumas tropas maias e fez de Chichén Itzá a capital, juntamente com Tula Xicocotitlan. A partir de então houve uma aglutinação entre os estilos arquitetônicos do povo maia e dos toltecas.
A arte e a arquitetura desse período mostram uma mistura interessante de Maya e estilos toltecas. Alguns estudiosos afirmam que neste período a região não fora liderada por um único governante, mas por um conselho formado pelos mais notórios cidadãos. Entretanto, recentemente esta teoria vem sendo menos apontada pelos historiadores durante as pesquisas sobre a origem de Chichén Itzá.

Durante a era de ouro de Chichén Itzá, a cidade experimentou um período de forte crescimento econômico e tornou-se o centro financeiro de Iucatã. As rotas de comércio possibilitaram a extração de ouro e outros recursos minerais para a região. Após o período de ouro, acredita-se que Chichén Itzá entrou em declínio, mas alguns estudiosos sugerem que a região não fora completamente abandonada, já que os centros foram usados como local de peregrinação durante o extermínio do povo maia.
Segundo Gendrop (1988, p. 17), a visão geral das regiões aonde irá se desenvolver a civilização maia fica situado na confluência entre a América do Norte e a América Central, tendo por eixo a península de Yucatán, apresentando do ponto de vista geográfico, duas grandes divisões designadas comumente com os nomes de Terras Altas e Terras Baixas.
A área meridional, que compreende essencialmente as Terras Altas da Guatemala, de clima temperado e úmido, assim como a faixa muito úmida da costa do Pacífico, estende-se do Chiapas a El Salvador. Essa zona meridional, apesar da fertilidade e dos numerosos recursos naturais, das facilidades de comunicação e do papel particularmente determinante que desempenhou durante as fases formativas da civilização maia, não figura além do período clássico senão de maneira marginal, a tal ponto que muitas obras consagradas à civilização maia dispensam-se de lhe fazer referência.
As Terras Baixas, ainda segundo Gendrop (1988 p. 17), situadas na maior parte abaixo de 600m de altitude e raramente ultrapassando os 100 ou 200m, dividem-se em duas partes: as Terras Baixas do Sul, ou área central, cobertas quase exclusivamente por uma floresta tropical mais ou menos densa e muito úmida, estendendo-se desde a planície costeira de Tabasco, no golfo do México, até Belize e Honduras, no litoral do mar do Caribe, passando por Petén, que ocupa todo o Norte da Guatemala, verdadeiro coração do mundo maia clássico; e as Terras Baixas do Norte, ou área setentrional, representando praticamente toda a península de Yucatán, essa enorme formação calcária, apenas ondulada em algumas partes e quase totalmente desprovida de cursos de água superficiais, na qual se passa progressivamente do clima úmido para o clima árido, na medida em que nos deslocamos em direção a noroeste.
Para ele:

É nessas Terras Baixas que se produziu, em todo o esplendor e diversidade, o fenômeno clássico maia, e, sobretudo na área central, que alguns autores consideravam ainda há pouco tempo como o domínio quase exclusivo de um "antigo Império Maia", enquanto a área setentrional se via reduzida injustamente à condição de sucessora tardia ou simples teatro de um efêmero "Novo Império" (GENDROP, 1985, p. 17).

Outros estudos apontam que a sucessão de descobertas arqueológicas indica o desenvolvimento de uma das mais notáveis civilizações do Novo Mundo, com uma arquitetura, escultura e cerâmica bastante elaborada. Mas foi a decifração dos ideogramas da escrita maia que permitiu reconstituir parcialmente a história deste magnífico povo.

2.1  Periodização  

Tradicionalmente, os arqueólogos dividiram a História maia em três períodos principais: o Pré-Clássico (1000 a.C. a 317 d.C.); o clássico ou Antigo Império (317 a 889); e o pós-clássico ou Novo Império, também conhecido por “renascimento maia”, até 1697. Cada um destes períodos possui estilos distintos:
  Período Pré-Clássico (1000 a.C. A 317 d.c.)
Da idade pré-clássica pouco se conhece, mas pode-se afirmar que neste período já existia uma estrutura religiosa e social, com uma classe sacerdotal especializada em matemática e astronomia. Provavelmente foi nessa época que se criou o calendário maia.
Localização: Os principais núcleos foram La Victoria, Uaxactún e Tikal
Características: 
• No início, a organização era feita em pequenos núcleos sedentários, baseados no cultivo do milho, do feijão e da abóbora.
• A cerâmica é monocromada e são feitas pequenas esculturas de figuras de pedra.
• Havia centros cerimoniais que, por volta de 200 da era cristã, evoluíram para cidades com templos, pirâmides, palácios e mercados.
De acordo Gendrop (1988, p. 32):

Os maias, da mesma forma que os demais povos da Mesoamérica, não dispunham senão de uma tecnologia bastante limitada, sob muitos aspectos, exatamente comparável ao estágio dito “neolítico”, não conhecendo o uso da roda, nem do torno e não dispondo de animal algum de tração. Desconheciam o trabalho com metais, e assim permaneceram até o final do período clássico.

Assim como foi exposto na citação acima, os maias apresentaram um avanço comparando-se às demais civilizações existentes e as suas condições de sobrevivência, onde se observa um grau de inteligência superior devido a sua capacidade de interagir com o seu meio e torná-lo adequado para sua sobrevivência. Com isso, estes povos se destacaram em diversos setores como a matemática, a astronomia, a medicina e as artes.
A astronomia e o calendário
Todos os grandes povos da Mesoamérica sentiram-se poderosamente fascinados pelo mistério do cosmo: a recorrência cíclica e previsível dos fenômenos celestes, o ritmo infatigável das estações e a influência destas nas diversas fases da cultura do milho; o próprio ciclo da vida e da morte, do dia e da noite em sua alternância inexorável, mas necessária.
Os maias conheciam profundamente os ciclos do Sol, da Lua e de Vênus. Eles calculavam o ciclo solar em 365,2420 dias. Uma exatidão assombrosa, já que só há pouco tempo os cientistas constataram, com ajuda de modernos computadores, que o ano solar é de 365,2422 dias.

Desde os primeiros séculos de nossa era, talvez mesmo a partir do grande desenvolvimento olmeca, esses povos possuíram dois calendários dos quais se serviam simultaneamente; um calendário ritual de 260 dias divididos em 13 grupos de 20 dias; e um calendário solar, "vago" ou civil, de 365 dias mais uma fração, comportando 18 grupos de 20 dias mais cinco dias adicionais, geralmente considerados nefastos.

O calendário criado pelos maias, conta com um impressionante sistema que lhes permitia calcular o tempo com grande precisão, a partir de um ponto fixo no passado. Isto é, tinham uma cronologia absoluta, com um ciclo de 52 anos. Este “marco zero” do calendário refere-se ao ano 3113 a.C., provavelmente a criação do mundo.

Período Clássico (séculos III a IX)
Localização: Região central de El Petén, na Guatemala. A partir do fim do século IV, há uma expansão para oeste e sudeste, onde surgem Palenque, Piedras Negras e Copán. Mais tarde, essa conquista segue para o norte, até a península de Yucatán.

Características:
• Auge da civilização, com a construção de grandes templos, como os de Tikal, Palenque e Copán. Acredita-se que as cidades-estados maias formavam uma federação de caráter teocrático e hierarquizada em classes sociais.
• Há produção de excedentes agrícolas.
• A cerâmica típica desse período é policromada e figurativa.
A escrita glífica

Um avançado sistema de escrita hieroglífica foi desenvolvido pelos maias. Boa parte dos escritos, no entanto, foi destruída durante a colonização espanhola. Hoje são conhecidos apenas três livros da era pré-colombiana que sobreviveram aos espanhóis: os chamados códices de Dresden, de Madri e de Paris.
Um dos grandes desafios para os pesquisadores da civilização maia gira em torno da decifração do seu complexo sistema de escrita. Um dos maiores empecilhos está relacionado ao fato de que os signos empregados podem representar sons, ideias ou as duas coisas ao mesmo tempo. Além disso, indícios atestam que eles utilizavam diferentes formas de escrita para um único conceito.

Acredita-se que o apogeu cultural dos maias tenha se dado por volta da segunda metade do século VIII. São desse período as estelas, placas de pedra com relevos hieroglíficos, que são uma importante fonte de informação para os historiadores.
O fim da idade pré-clássica e o começo da clássica foram estabelecidos com base nas primeiras datas que puderam ser decifradas nos monumentos. A mais antiga é a Tábua de Leida, pequena lâmina de jade encontrada em Uaxactun, talvez o centro mais importante do Antigo Império, que corresponde aproximadamente a 317 – 320 d.C. Esta data marca o início da idade clássica, e o ano de 1697 – o fim do Novo Império – assinala o término da última resistência organizada contra os espanhóis.

Período pós-clássico (séculos X a XVI)
Localização: Chichen Itzá, Uxmal e Mayapán, na península de Yucatán (sul do México), e El Petén, na Guatemala.
Características:
• Desgraças naturais como o furacão de 1464 e a peste de 1480 devastam a região.
• Começa ao culto a Kukulcán (Quetzacoátl, para os toltecas), simbolizado pela figura da serpente emplumada.
• Apogeu do núcleo Mayapán, seguido de conflitos entre as cidades-estados. As disputas facilitam o avanço dos espanhóis, que chegam em 1511. Na década de 1520, quase toda a região maia é conquistada.

1        ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLITICA

Os Maias parecem ter tido um governo descentralizado, ou seja, um território dividido em estados dependentes, ainda que nos últimos tempos, houve caciques que governavam vários centros. Eles não formaram um Império Maia, ergueram muitas cidades, como Chichen-Itzá, Mayapán, Palenque e Tikal, na verdade essas cidades eram independentes, tinham leis e costumes próprios, cada uma dessas extraordinárias cidades tinha palácios, estradas, templos na forma de pirâmide. Em suma cada centro urbano e sua administração eram as cidades-estados independentes da civilização maia.
As cidades-estados eram planejadas e organizadas em torno de um governo teocrático onde o representante máximo era visto como um representante dos deuses na Terra. O governo maia era exercido por um chefe com poder hereditário, ou seja, passava de pai para filho. A função do chefe era arrecadar impostos coletivos cobrados à população, pela política interna e pelas relações com os outros povos.

3.1  Sociedade e economia
O processo de organização da sociedade era bastante rígido e se orientava pela presença de três classes sociais. No topo da hierarquia encontravam-se os governantes, os funcionários de alto escalão e os comerciantes, a elite que tinha a função de ajudar o governo de cada Cidade-Estado e controlar as práticas religiosas; Logo em seguida, vinham os funcionários públicos e os trabalhadores especializados. Na base da pirâmide ficavam os camponeses e trabalhadores braçais que achavam que para obter fartas colheitas, deveriam pagar impostos ao governo.
A base da economia Maia foi o cultivo do milho pela técnica, pela roça e pelo semeio, que caba esgotando as terras em 2 ou 3 anos, obrigando a mudar de plantio, o que resulta num cultivo extensivo e não intensivo.

Segundo Gendrop (1998, p. 46):

Determinadas regiões especializaram-se na cultura do algodão e na manufatura de tecidos ricamente bordados, enquanto outras se distinguem pela qualidade e elegância de sua cerâmica policromada. Finalmente, entre os mais valorizados objetos de luxo – a tal ponto que somente os membros da casta dirigente podem permitir – se consumi-los sob a forma de bebida – está o cacau, que também serve correntemente como moeda de troca.

Percebe-se que a agricultura era vital para os maias, eles possuíam muitos sistemas de mecanismos de controle, distribuição de alimentos para toda a população, sendo que a maioria deles vivia no campo, onde cultivava legumes, frutos, condimentos, algodão, tabaco, feijão, abóbora, e cacau, a moeda de troca. Ao lado da agricultura se praticava a caça, a pesca e a domesticação de animais.
No aspecto tecnológico, a indústria mais importante lítica; produziram armas, objetos de trabalho e tornos em vários tipos de pedras, como a obsidiana, o pedernal e o jade. Outras indústrias foram: a de sal, a textil, la hulera, la cesteiria, la primeira e la alfarreria. A metalurgia aparece pelos séculos XI ou XII procedente da América Central, e foi visada quase exclusivamente para produzir adornos.
O comércio foi um dos aspectos importantes da economia Maia: havia rotas terrestres, fluviais e marítimas. Existiam mercados "internacionais" como o de Xicalanço, havia edifícios especiais assim como córtes judicias. Os mercadores, chamados de polom, pertenciam à nobreza e possivelmente estavam organizados em grêmios. O comércio se realizava por meio de troca, ainda que alguns produtos tivessem valor de moeda como o cacau o jade e os objetos de cobre.

4. RELIGIÃO

Os Maias tinham uma religião politeísta rendiam cultos a muitos deuses, que podiam ser masculinos e femininos, jovens e velhos benéficos e maléficos também um ou quatro não eram seres perfeitos como em outras religiões, nem muito suficientes, que para continuar existindo necessitava de homens e do culto. As cerimônias religiosas mais relevantes eram conduzidas por nobres de alta posição da família real, encabeçados por Ahau, o monarca cuja função sacerdotal era inerente ao cargo.
Para os maias os deuses comandavam a vida de todos os seres humanos, as artes, a política, a vida, a contagem do tempo, as construções eram fortemente influenciados pelo tema religioso. Esta era uma sociedade politeísta, ou seja, acreditava em vários deuses, era política, social e economicamente influenciada pela religião. Praticavam rituais com sacrifícios de seres humanos nos quais eram privilegiados pela sociedade. A religião também influenciou a literatura dos maias e o exemplo dessa afirmação é o livro sagrado chamado Popol Vuh.


5. A CIÊNCIA MAIA

Os maias entre os séculos de esplendor desenvolveram conhecimentos e avanço extraordinário na área de exatas e humanas. Eles tinham um apego e uma curiosidade para desvendar o cosmo, tendo o sol, a lua influência no ciclo da vida e da morte.
De acordo com algumas pesquisas, eles utilizavam um sistema de contagem numérico baseado em unidades vigesimais e, assim como os olmecas, utilizavam do número “zero” na execução de operações matemáticas. Além disso, criaram um calendário bastante próximo ao sistema anual empregado pelos calendários modernos.
A sociedade maia desenvolveu a astronomia e a matemática, pois estes eram interessados nos astros, na contagem do templo. Os astrônomos conseguiam calcular as fases da lua, conseguiam prever os eclipses do sol, elaboraram um calendário para orientar as atividades humanas e a vontade dos deuses, criando assim dois calendários um solar e um religioso que se encontravam a cada 52 anos iniciando um novo ciclo, pode-se dizer que, o calendário era cíclico. Na matemática, estabeleceram um símbolo para o zero e também passaram a fazer uso do sistema de contagem vigesimal.
O saber médico entre os maias contava com um amplo leque de conhecimento sobre o diagnóstico e o tratamento de diversas doenças. Os remédios produzidos tinham origem diversa e utilizavam matérias de fonte animal e vegetal. Além disso, os tratamentos envolviam o uso de banhos, substâncias alucinógenas, infusões e sangrias. Influenciado por uma forte conotação religiosa, os tratamentos eram conduzidos por xamãs que vinculavam os males físicos a tormentas espirituais.
Os xamãs compunham uma classe exclusiva de sacerdotes conhecedora de diferenciados tratamentos médicos. Entre os diversos sacerdotes, os h’menes eram os que se incumbiam da tarefa de tratar das enfermidades da população. Exercendo atividades auxiliares, os nacomes e chaacoob realizavam sacrifícios e os rituais necessários para um determinado tratamento ou na fabricação de algumas medicações. Além disso, os maias contavam com hábitos de higiene que incluíam banhos diários e o uso de uma goma chamada chicozapote, muito utilizada na higiene bucal.


6. A ARTE E A ARQUITETURA

A arte maia tinha suma importância na preservação das tradições religiosas. Ao mesmo tempo em que contava e reproduzia as feições de suas principais divindades, a arte maia também envolvia uma importante questão política. Os murais e as esculturas relatavam a grandeza das dinastias que controlavam uma determinada cidade-Estado. Sendo indicada como uma família abençoada pelos deuses, as expressões artísticas maias eram importantes na legitimação do poder político.
Os maias trabalhavam com pedras, matérias em madeira e cerâmica para construírem estátuas e figuras em baixo relevo que adornavam os templos e demais construções urbanas. Na cidade de Bonampak encontram-se várias construções e pinturas da civilização maia. No chamado Templo das Pinturas existem câmaras que relatam a história política, cultural e militar dos povos que se fixaram naquela região. Em outras regiões encontramos ainda o importante legado deixado pela arquitetura maia.

A arquitetura maia tem caráter cerimonial, o que proporcionou o surgimento de estruturas suntuosas. As grandes plataformas eram feitas de pedras. As paredes, de terra batida e depois, revestida por pedra talhada ou argamassa. Os tetos tinham forma de falsa abóbada. Os exteriores de palácios e pirâmides apresentavam esculturas em suas decorações.
A arquitetura desse povo esteve sempre muito ligada à reafirmação de seus ideais religiosos. Totalmente devotada ao culto; as cidades eram centros religiosos, o povo vivia em choças e casas de adobe. Várias colunas, arcos e templos eram erguidos em homenagem ao grande panteão de divindades celebrado pela cultura maia. A face politeísta das crenças maias ainda era pautada pela crença na vida após a morte e na realização de sacrifícios humanos regularmente executados. Os templos eram de forma retangular e construídos sobre pirâmides truncadas, acessíveis por escadas laterais. As fileiras das pirâmides simbolizavam os níveis do universo: a própria pirâmide representava a montanha do céu, que o Sol deve galgar e descer a cada dia.
 
Os monumentos e edifícios maias eram erguidos em lugares altos, talvez para aproximá-los das divindades – o deus Sol, a deusa Lua -, mas tinham também uma finalidade defensiva, resguardando os altares.
As pedras para as construções eram transportadas nos ombros, pois não conheciam a roda. No império maia não havia cidades, mas centros de cultos com edifícios, palácios, observatórios, campos de jogo de bola e praças muito distantes uns dos outros e os camponeses viviam em choças de palha, que contrastavam fortemente com o luxo das construções religiosas e dos palácios dos nobres. Essas choças não sobreviveram ao tempo e são conhecidas pelas suas representações nos afrescos dos templos e palácios.
As cidades da civilização maia contavam com avenidas, calçadas, templos e palácios, configurando a grande engenhosidade de suas construções. Em Chichén Itzá e Tikal podem ser encontrados poços, pirâmides e palácios que demonstram a grande riqueza do traçado arquitetônico maia. As residências contavam com três ou quatro cômodos pouco iluminados. Espalhadas por toda Meso-América, as cidades astecas são grande fonte de conhecimento da cultura e da história maia.

7. O FIM DA CIVILIZAÇÃO MAIA

O fim da civilização Maia ainda é um mistério muito debatido. Durante os séculos VIII e IX, as grandes cidades Maias foram entrando em declínio e depois foram abandonadas, deixando para trás uma arquitetura incrível e sinais da civilização.
No auge de sua civilização e cultura os maias abandonaram suas cidades, templos, monumentos e tesouros sagrados. Algo incompreensível ocorreu por volta de 600 d.C., para que este povo, de repente e sem motivo, simplesmente desaparecesse. A selva devorou construções e estradas, quebrou os muros e produziu uma imensa paisagem de ruínas. Nenhum habitante jamais retornou àqueles locais. Algumas teorias acreditam que isso aconteceu devido à superpopulação, invasão de estrangeiros, revoltas da população e até problemas com as rotas usadas para trocas comerciais.
Boulos Júnior afirma que:

A partir do ano 900, os maias abandonaram suas cidades e se espalharam pela região, misturando-se a outros grupos, mas não se sabe ao certo por quê. Fala-se em esgotamento da terra, em epidemia, em chuvas torrenciais e prolongadas. Apenas hipóteses para aprofundar as pesquisas. (BOULOS JÚNIOR, 2009, p. 57).


Outras teorias, entretanto, afirmam que o declínio pode ter ocorrido devido a desastres ambientais, como doenças e mudanças climáticas. Existem evidências que a população excedeu a capacidade de seu solo, acabando com o potencial da sua agricultura e caça. Atualmente, alguns estudiosos acreditam que uma seca de mais de dois séculos possa ter acabado com a civilização. Há, ainda, estudiosos que atribuem o abandono dos centros maias à guerra, insurreição, revolta social, invasões bárbaras etc.
De fato, os grandes centros foram abandonados, porém não de súbito, as hipóteses mais prováveis apontam para uma exploração intensiva de meios de subsistência inadequados, provocando a exaustão do solo e a deficiência alimentar. Acredita-se também, nas mudanças climáticas, na ocorrência de lavouras com baixa produtividade, nas guerras entre as sociedades, nas transformações, nas mutações, e no domínio de uma sociedade sobre a outra.
Outros estudiosos, porem, acreditam que, essa grandiosa civilização não chegou ao fim ela foi absolvida por outra e também contribuiu com sua rica cultura, conhecimento a nova civilização e todo o continente americano.
Atualmente, mais de sete milhões de Maias vivem nas suas regiões originais, e muitos ainda mantêm muito de sua cultura ancestral. Alguns estão integrados com a cultura dos países onde vivem, mas muitos ainda utilizam a linguagem Maia como idioma principal.
As maiores populações dos Maias modernos habitam os estados mexicanos de Yucatán, Campeche, Quintana Roo, Tabasco e Chiapas. Na América Central, eles costumam ser encontrados em Belize, Guatemala e nas regiões oeste de Honduras e El Salvador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao término deste trabalho pode-se perceber que os Maias formavam a civilização de tecnologia mais avançada do mundo, à frente das maiores potências européias, chegando a ater, no seu auge, mais de 40 cidades espalhadas numa região que hoje inclui a península de Yucatán, um pedaço do estado de Chiapas, no México, e partes de Belize, Guatemala e Honduras.
Durante o período, entre os séculos III e IX, os maias dominavam a astronomia, a matemática, a escrita, e norteavam-se por um preciso sistema de calendários além de terem sidos exímios e sofisticados construtores, dado a belíssima arquitetura, vislumbrada até hoje sob a forma de ruínas. Quando a civilização atingiu o apogeu, eles viviam basicamente da agricultura. Plantavam milho, feijão, algodão e tabaco. Quando as colheitas eram boas, dedicavam o excedente ao comércio. A sociedade era fortemente hierarquizada, dividida entre a nobreza (governantes, sacerdotes e guerreiros) e a classe baixa (camponeses e artesãos), obrigada a trabalhar e a pagar impostos. Por último, havia os cativos, em geral destinados aos sacrifícios humanos em honra aos deuses. A religião ocupava um espaço enorme na vida dos maias.
Por volta do século IX, no entanto, os maias experimentaram um colapso súbito. Os centros urbanos densamente povoados foram abandonados e a civilização, da forma como até então era conhecida, simplesmente desapareceu. Um fim tão misterioso que até hoje provoca polêmica. Nas últimas décadas, pesquisadores têm procurado algo grande que pudesse acabar com uma civilização que, à época do seu ocaso, já durava bem mais de 20 séculos: um cataclismo, uma prolongada seca, uma guerra sangrenta, uma catástrofe de dimensões continentais. Ainda hoje, não existe uma explicação que consiga responder a questão envolvendo a trajetória dos maias.
Por fim, compreende-se que as teorias estão longe de ser um consenso. Fome, epidemias, mudanças climáticas, guerras, invasões e até suicídio em massa já foram hipóteses levantadas para explicar o fim da civilização maia. O único consenso entre os estudiosos, é que os povos maias nunca desapareceram, nem na época do declínio no Período Clássico, nem com a chegada dos conquistadores espanhóis e a subsequente colonização espanhola das Américas. Hoje, os maias e seus descendentes formam populações consideráveis em toda a área antiga maia e mantém um conjunto distinto de tradições e crenças que são o resultado da fusão das ideologias pré-colombianas e pós-conquista.

REFERÊNCIAS

AQUINO, Jesus Oscar. História das Sociedades Americanas. 8ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record,  2002.

BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7º ano / Alfredo Boulos Júnior. São Paulo: FTD, 2009.

CARDOSO, Ciro Flamarion. América pré- colombiana. 2º edição. São Paulo: Brasiliense, 1982.


FLAMARION, Ciro S. Cardoso. América pré-colombiana. 1ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981.

GENDROP, Paul. A civilização maia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1998.

SOUSA, Ranier. A civilização maia. 2008. Disponível em:
http://www.brasilescola.com/historiag/a-civilizacao-maia.htm/. Acesso em: 5 de setembro de 2010 às 11:32 hs.




6 comentários:

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  2. Acheii tre consegui tirar a introduçao e um pouco do desenvolvimento do trabalho! valeu beijinhos!

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  3. civilização maia como ela se organizava social e culturalmente?????????

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    1. Esta tudo escrito no texto leia de novo e com atenção

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  4. Sou uma aluna muito boa em história mais disso eu não sabia então...







    Muito obrigada
    Ahhh eu adorei suas foto e seus versos
    Blog perfeito
    Agora quando raramente tiver alguma duvida em história sempre pesquisarei no seu blog

    By:Ayslla Beatriz
    Bauru,sp
    E.E. Profª ADA CARIANE AVALONE
    7º ano B

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